Sem Fru-Frus nem gaitinhas o mesmo será dizer que se lixe o «politicamente correcto»... Let the show go on!!!!

13
Nov 06

- O senhor sente-se aqui!!!
- Não, não … a menina deixe-se estar…
- Eu vou sair na próxima paragem o senhor sente-se por favor…
- Ahhh muito obrigado…
 
Foi engraçado reparar no constrangimento de ambos perante o olhar de quem ia naquela carruagem de metro.
 
A rapariga porque perante a negativa inicial do senhor tinha todas as pessoas a olhar para ela e o senhor (já de alguma idade) porque sentia o constrangimento de uma menina lhe dar o lugar.
Julgo que na sua época, nunca em tempo algum uma menina daria um lugar a um cavalheiro!!!
 
Mas mudam-se os tempos e mudam-se as vontades…
 
E «nestes tempos» confesso que me apraz assistir a algo tão simples como isto! Diria mesmo que é invulgar…
 
O senhor era interessante, tinha uma barba branca muito bem aparada, vestia bem, tinha um ar «clean» e nobre, como se tivesse saído de uma qualquer obra de Eça de Queiroz. Daquelas pessoas que eu acho que nunca deveriam andar de metro em horas desassossegadas!
Foi precisamente isto que pensei na altura…e que me fez sorrir para dentro.
Sorrir e rir para dentro nos espaços públicos é crucial, faz parte do manual de sobrevivência, para não sermos considerados mais um «louco(a) de Lisboa» tal como dita a canção.
 
A rapariga ainda era novinha diria que não mais de 18 anos (fantástico não é!!!) ia agarrada ao varão que fica no pequeno hall da carruagem junto da porta de saída. Reparei que algo a incomodava pela forma como fixava o tecto da carruagem. Utilizo muitas vezes essa técnica num espaço demasiado apertado. Fixar algo onde ninguém consegue encontrar os meus olhos e Eu os olhos de alguém!
 
A minha figura de «Eça de Queiroz» ia sentada e virada para o local onde a rapariga estava e fixava-a!!!
 
Pensei…mau querem lá ver que a minha figura de Eça de Queiroz passa (em minutos) a uma figura de Stephen King (isto iria me custar agora que tinha romanceado)!!!!!
 
- Psssstttt…pssstttt….
 
O senhor agitava a mão na direcção da rapariga.
 
- Não…não…não me quero sentar obrigado…
 
O senhor insistia.
 
- Psssstttt…psssttt … aproxime-se…
 
Agora sim a rapariga estava constrangida (pela 2ª vez naquela viagem) e notei-lhe no olhar que também estava a ponderar se o senhor de barbas branquinhas não seria algum «psicopata».
 
-Pssstttt…psssstttt…chegue aqui sffv…
 
A rapariga estava encurralada…entre pedidos de desculpa e com licenças conseguiu-se aproximar do senhor «Eça de Queiroz».
 
Então ele mexeu numa pasta de cabedal e tirou de lá um livro, que estendeu à rapariga.
 
Um livro de poesias, de sua autoria. Não consegui ler o nome do autor, apenas o título.
 
A rapariga sentou-se em frente ao senhor, num lugar que tinha ficado vago na altura. E folheou o livro, passado um bocado levantou-se e preparou-se para sair, não sem antes agradecer de uma forma muito simpática.
 
Mas o mais engraçado para além de um certo ar pomposo e «inchado» que o senhor Eça de Queiroz colocou, foi ter-lhe vislumbrado um sorriso de contentamento de como quem diz «- Ainda sou um cavalheiro e muito capaz!!!».
 
Não sei porquê mas senti inveja da rapariga, gostaria muito de ter aquele livro e descobrir quem era a minha figura «Eça de Queiroz».
 
Mas a viagem terminou e eu não tive coragem para abordar o senhor «Eça de Queiroz»…
 
Os desejos de uma excelente semana para todos.
 
Da parte da vossa (salvo seja)  Princesa…
 
publicado por PrincesaVirtual às 00:51
sinto-me:

Querida Princesa!
As suas histórias nos transportes públicos são sempre deliciosas... o conselho de saber rir para dentro para sobriver fundamental... o olhar de Sua Alteza não se enganou quanto à figura Eça de Queirós.
Beijo
Maria Papoila a 14 de Novembro de 2006 às 21:28

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